Todo mundo tem sonhos. Trocar de carro, conquistar a casa própria, fazer uma viagem para o exterior ou ajudar outras pessoas, especialmente as que são próximas de nós. Ter essas metas é muito positivo e saudável, elas nos ajudam a ter mais motivação, especialmente no campo profissional. O problema é que, muitas vezes, compras e investimentos feitos de forma impulsiva, sem uma organização financeira prévia, podem trazer resultados indesejados: as dívidas.

Isso pode acontecer com qualquer pessoa. Geralmente, educação financeira não é algo ensinado nas escolas ou faculdades. Isso faz com que muitos jovens se tornem adultos despreparados para administrarem o próprio dinheiro. A dívida nem sempre é indicativo de irresponsabilidade.

Ela pode surgir de um momento de urgência, uma mudança inesperada na renda (como a perda de um emprego, por exemplo, ou a chegada de um filho) ou também de uma ausência de planejamento na hora de comprar algo mais caro.

Somente em janeiro do último ano, a inadimplência aumentou em 2,6% entre os brasileiros, segundo o Serasa Experian. Então, se este é o seu caso, saiba que você não é a única pessoa com dificuldade de se organizar financeiramente e que para tudo tem solução. 

Neste artigo, vamos te auxiliar a agir de maneira estratégica para pagar suas dívidas e a organizar as finanças para que este tipo de problema não volte mais a acontecer!

O que é um orçamento familiar?

O orçamento familiar é uma ferramenta para controle financeiro. Ele permite que você tenha uma visão completa das receitas (valores recebidos)  e despesas (valores gastos) em casa pela sua família.

Por exemplo, pense em sua família como uma empresa. Cada setor de uma empresa (Administrativo, Produção, Recursos Humanos, Comunicação, etc.) tem um orçamento, certo? Uma verba que eles podem gastar.

O mesmo seria feito na sua família porém, no lugar de setores profissionais, seriam os gastos necessários: saúde, educação, moradia, alimentação, transporte, lazer, entre outros.

Fazendo este tipo de organização, você vai saber ao certo quanto gasta em cada área. Dessa forma, pode identificar onde devem apertar os cintos, pelo menos até a quitação das dívidas. 

É muito importante que todos da família se comprometam a seguir o orçamento planejado, e que todos os responsáveis por injetar renda na vida familiar estejam de acordo com os limites estipulados. 

Para quem tem filhos ainda crianças ou adolescentes, a dica é também envolvê-los no planejamento, mesmo que apenas nas etapas de economia ou diminuição do desperdício. Por mais que eles não precisem ter acesso a toda a informação, será uma forma de incluí-los dentro do estilo de vida determinado.

Além disso, será um ótimo exemplo de organização para que eles tenham, futuramente, suas próprias famílias.

Importância de se ter um orçamento familiar

A maior importância desse planejamento é proteger a sua família. Uma vida financeira saudável traz paz e estabilidade para todos. Viver sob a pressão de estar no vermelho, receber ligações com cobranças e credores traz uma carga muito pesada a todos.

Podem tirar o sono e prejudicar diversos outros aspectos, desde as relações até a área profissional ou mesmo a saúde! 

Com um planejamento financeiro para a sua família, além de se organizar para pagar as dívidas, vocês podem também conquistar diversos objetivos. Seja uma viagem, uma comemoração, uma compra de maior porte.

Deixando tudo planejado é possível juntar o dinheiro necessário ou escolher, com calma e sem ”sufoco”, o melhor tipo de financiamento para vocês atingirem aquele determinado objetivo.

Vantagens de aplicar um planejamento financeiro familiar no seu orçamento

É difícil achar, na verdade, uma desvantagem dentro da organização financeira. Especialmente depois de dar os primeiros passos. Este tipo de planejamento é um hábito, por isso mesmo que o começo pode ser mais desafiador. Mas, uma vez internalizado, esta prática fica natural e muito mais confortável. 

Para começar, vai ser preciso estar com a cabeça descansada e é importante estar bastante comprometida. 

Você deverá analisar todas as suas fontes de receita e absolutamente todas as suas fontes de gastos. Lembrando, é claro, de destinar uma quantia à quitação das dívidas. Futuramente, esse valor pode ser usado para um investimento de longo, médio ou curto prazo, para que você e sua família tenham novas conquistas!

Com um bom planejamento financeiro familiar vocês irão:

  1. Ter clareza sobre receitas e gastos;
  2. Identificar possíveis pontos de economia;
  3. Destinar parte da renda para pagar suas dívidas;
  4. Evitar que as dívidas voltem a acontecer (ou a crescer);
  5. Poder negociar as dívidas maiores (ou com mais juros);
  6. Deixar sua família protegida destinando um valor para seguro de vida e seguro para o patrimônio;
  7. Se organizar para futuras conquistas e sonhos realizados.
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Pagando suas dívidas

Certo, agora você provavelmente está por dentro de como não deixar essa situação voltar a acontecer e como se organizar para desenvolver a inteligência financeira através do planejamento dos gastos familiares. 

Mas você ainda deve estar se perguntando “Ok, entendi essa parte. Mas e sobre este momento de agora, como pagar minhas dívidas?” Essa é a parte mais difícil, mas você se preparou para ela e vai conseguir sair dessa! Veja algumas dicas que irão te ajudar:

Anote todos os gastos

Antes de elaborar o seu orçamento familiar, combine com todos de anotarem absolutamente todos os gastos. Desde um chiclete e um lanche na escola, até o pagamento do aluguel ou do financiamento do apartamento. 

Os grandes gastos são mais marcantes, mas os pequenos passam batido e podem representar uma parcela muito maior do orçamento que você imagina. 

Só o ato de anotar já interrompe o impulso de comprar para uma avaliação de “Eu preciso mesmo disso? Por que eu estou fazendo essa compra?”. Ao anotar você reflete e essa reflexão pode (e muito provavelmente vai) significar economia. 

Crie metas alcançáveis

Isso é muito importante! Sua meta central nesse caso deve ser o pagamento das suas dívidas, é claro. Mas ela não precisa ser a única. 

Inclusive, podem haver metas intermediárias, por exemplo:

  • pagar determinada dívida até o dia do aniversário de casamento;
  • pagar primeiro a dívida que possui os juros mais altos, já que oneram mais o seu orçamento;
  • começar o próximo ano com a metade das dívidas que você tem agora;
  • conseguir se adiantar e começar a pagar as parcelas da dívida de forma adiantada, e não no próprio mês de vencimento.

Este tipo de estratégia, além de ser muito útil na questão da organização, também traz uma sensação de realização. Poupar exige um pouco de sacrifício sim, mas ver as suas metas sendo atingidas também é uma sensação muito boa de competência, responsabilidade e merecimento. 

Ao conquistar uma meta, mesmo que seja somente a primeira ou a menos complicada de todas, você terá ainda mais gás para seguir sendo fiel ao seu planejamento financeiro familiar!

Organize o seu orçamento - e adapte se necessário

Planejamento financeiro é sinônimo de organização, dedicação mesmo. Depois de listar todas as fontes de renda e todos os gastos, tendo anotado tudo que é comprado (como dito ali no primeiro item da lista), você vai conseguir se organizar. 

Existem planilhas e aplicativos de celular que também podem te ajudar com isso. Não se esqueça também que alguns gastos são fixos (internet, aluguel, mensalidades de escola/faculdade) mas outros são mais flutuantes (alimentação, lazer, transporte), então você precisa deixar uma margem no orçamento para possíveis variações, que devem ser sempre evitadas.

Converse com a família 

Todos na família precisam estar comprometidos com o planejamento financeiro. Cada pessoa é importante, seja ela a principal provedora da casa ou a que vai lembrar de fechar a torneira ao escovar os dentes e apagar a luz.

Todo mundo pode e deve colaborar com a redução de gastos. E para que colaborem, é preciso que eles entendam o porquê disso estar sendo feito, e que se vejam como responsáveis por ajudar a família a pagar as dívidas. Por isso, como dissemos anteriormente, inclua todo mundo. 

Ouça as ideias e sugestões, explique o que é preciso e porque isso está sendo pedido deles. Vocês terão muito mais sucesso trabalhando juntos, não tenha dúvidas!

Corte gastos

A grande vantagem de rastrear todos os gastos familiares é que você pode mirar exatamente em quais você deve eliminar. Na rotina, muitas vezes não se percebe que alguns gastos são totalmente desnecessários. Mas quando vai tudo para a ponta do lápis, o cálculo fica bem mais fácil. 

Outra coisa é pensar no que pode ser feito para contornar alguns gastos, como com gasolina, por exemplo. Se há dois carros em casa, será que não é interessante deixar um na garagem e toda a família faz uso do mesmo? E se ele for ficar na garagem, será que não é interessante vendê-lo e usar o valor para pagar as dívidas? É possível mudar para um bairro mais acessível ou negociar seu aluguel?

Existem muitas conveniências na rotina que podem ser repensadas em um momento financeiramente mais delicado. E nada impede que você recupere esses hábitos futuramente. Só que, dessa vez, depois de se planejar.

Avalie se é possível encontrar uma fonte de renda extra

Uma fonte de renda extra pode ser muito importante para ajudar a quitar as dívidas mais rápido. Isso porque se trata de uma receita inesperada, que pode ser, quem sabe, destinada de forma integral ao pagamento da dívida. 

Nesse caso, cada membro da família deve pensar nas suas possibilidades, tanto de tempo quanto do que estaria apto a fazer. Trabalhos de meio período, de vendas de doces e artesanatos ou realize alguns bicos como alternativa! 

4 dicas para negociar suas dívidas

Você sabia que é possível negociar com os credores? Muitas pessoas não sabem disso e encaram o valor final da dívida como uma definição intransponível, mas não é bem assim. 

Veja bem, da mesma forma que você tem interesse em pagar sua dívida e ficar livre dessa situação, o banco ou a instituição financeira para quem você está devendo também têm muito interesse em receber o pagamento por aquele débito. E, se duas pessoas têm um interesse comum, sempre há margem para conversar sobre como concretizar esse objetivo. Isso é, dá pra negociar

Separamos algumas dicas que certamente vão te ajudar!

1. Saiba quanto e para quem você deve

Parece óbvio, né? Mas não é. Isso porque o valor que está sendo cobrado de você não é quanto você deve, é quanto você deve mais o valor de juros que incidiram sobre a quantia inicial. Se a situação for de juros sobre juros é que o valor pode crescer exponencialmente. 

Então, antes de negociar, saiba qual é o valor inicial e qual é o valor dos juros porque é sobre essa segunda quantia que você deve focar ao pedir algum tipo de abatimento.

2. Entenda as condições de pagamento

Se você quer renegociar a sua dívida, você precisa saber o que é possível que seja feito por você e o que seria uma proposta irreal da sua parte. Leia os documentos referentes à sua dívida, informe-se e, se necessário, peça ajuda para alguém de confiança. 

Sabendo das condições, você vai conseguir entender o que seria mais vantajoso para você e o que você pode oferecer em retorno. 

Seria o pagamento à vista do valor mediante a um desconto? Ou seria um aumento de parcelas sem o aumento dos juros? Já tenha essas respostas prontas quando for tentar renegociar a sua dívida.

3. Não ceda de primeira

Em qualquer negociação, é comum que você ofereça algo menor do que realmente você está disposto, na esperança de que a pessoa negociando com você aceite sua oferta, certo? Essa tática, muito possivelmente, vai ser usada com e por você. Então, se você chega com uma proposta maior do que o que realmente espera, possivelmente vai receber uma contraproposta menor do que o que realmente pode ser feito. Não ceda de primeira. 

Pense no quanto esta dívida tem travado sua vida financeira e comprometa-se a reduzi-la o máximo que puder. Seja firme.

4. Se não há espaço para negociação, mude sua dívida de banco

Sim, transferir a sua dívida para outra instituição ou agente financeiro é possível. E é até recomendável, caso não haja espaço para diálogo em sua situação atual. 

Essa transferência se chama Portabilidade de Crédito, e ela é autorizada e garantida pelo Banco Central desde 2013. Além disso, o processo é totalmente gratuito e você, como consumidor, tem direito a ele.

5. Proteja-se contra imprevistos

Isso, seguros não devem vir apenas em momentos de segurança. É importante que você fique tranquilo ao negociar suas dívidas, mas que também acredite que sua família será capaz de honrar seus compromissos financeiros agora que eles foram organizados.

Um seguro de vida pode aliviar a falta da sua renda por algum tempo e seguros como doenças graves e invalidez contribuem em caso de imprevistos na sua vida. Busque opções acessíveis para o seu bolso e tranquilize sua cabeça.

Bônus!

Alguns sites prometem te ajudar na sua renegociação. Além de esperar feirões de limpa nome ou das instituições financeiras, você também pode buscar esses sites que oferecem um atalho para a renegociação da dívida. Alguns deles:

  1. Acordo Certo;
  2. Negociar Dívida;
  3. Quero Quitar.

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