Desde 2014, a campanha do Setembro Amarelo acontece com o objetivo de reduzir e prevenir os casos de suicídio, dando visibilidade a um tema tão importante e ao mesmo tempo delicado. 

Este mês foi escolhido pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), pois o dia 10 de setembro é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. 

Em apenas cinco anos, houve um aumento de casos em 28% no Brasil. Isso significa que entre 2014 e 2019, o número de pessoas que tiraram sua própria vida passou de 9,7 mil para 12,4 mil. Cerca de 96,8% desses casos estão relacionados a transtornos mentais: em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.
Utilizando informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com a base histórica de mortes disponibilizada pelo Governo Federal, a Azos desenvolveu um estudo sobre o suicídio no país. O levantamento revela alguns dados importantes que podem ajudar na prevenção dos casos de suicídio. Veja abaixo:

Jovens

O suicídio entre jovens de 11 a 20 anos aumentou em 49,6% entre 2014 e 2019. Esse dado contraria a tendência de queda nas mortes, em geral, registradas nesta faixa etária durante o mesmo período, que diminuiu em 22,9%.  

Isso mostra que o cuidado com os jovens deve ser redobrado. Pais, familiares, professores e amigos devem estar atentos a qualquer sinal de comportamento suicida demonstrado pelo jovem.

Sexo de nascimento

O estudo dos nossos especialistas identificou que a morte causada por suicídio é 3,2 vezes maior no sexo masculino. Porém, o crescimento desse tipo de morte entre as mulheres foi 15% maior do que entre os homens nestes cinco anos. 

Assim, independente do sexo de nascimento, qualquer pessoa está sujeita cometer suicídio. É importante buscar ajuda, principalmente de um profissional. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio gratuito, 24 horas, por e-mail, chat e pelo telefone 188.

Profissão

O levantamento da Azos também mapeou a ocorrência de suicídio por profissão entre 2014 e 2019. O operador de telemarketing corresponde a 4,2% dos suicídios registrados nesse período, possuindo a maior representatividade entre as profissões.

A incidência de operadores de telemarketing que tiraram a própria vida é 3,2 vezes maior que a média brasileira. Em seguida, por este mesmo ângulo, aparecem programador (2,4 vezes), fisioterapeuta (2,3 vezes), publicitário (2,2 vezes), veterinário (2,1 vezes), arquiteto (1,8) e nutricionista (1,77).

Nosso especialista, William Chung, aponta ainda que a quantidade de suicídio entre professores quase dobrou em cinco anos (1,8 vezes), e entre administradores aumentou 1,6 vezes: “a tendência não está boa, principalmente para essas profissões, onde observamos um aumento anual perto de 10%”.


Município

Duas capitais ganharam atenção neste estudo. Ao comparar 2019 com 2014, Curitiba teve um aumento de 67% na quantidade de suicídios. São Paulo, por sua vez, impressionou com uma queda de 62%, de 500 para 190 casos. 

Os dados relacionados à incidência de suicídios por município consegue alertar as autoridades locais e ajudá-las a identificar a necessidade de promover ou ampliar as políticas públicas de prevenção, reduzindo esta triste estatística. 

A prevenção ao suicídio não deve se restringir ao mês de setembro. 

Caso você seja uma pessoa com ideações suicidas, ou conheça alguém que esteja em sofrimento, sugerimos que busque a sua rede de apoio (sejam familiares ou amigos).

Você também pode recorrer ao Centro de Valorização da Vida, que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias.

Acesso o site: https://www.cvv.org.br/ ou ligue para o número 188!